Tim Cook finca pé ao FBI na apresentação do iPhone SE

No dia em que o FBI sugeriu que pode ter encontrado uma terceira via para arrombar o iPhone de um terrorista, o CEO da Apple Tim Cook falou da guerra que tem sido travada durante o evento de apresentação do iPhone SE.
Após sublinhar que há agora mais de mil milhões de dispositivos Apple em utilização por todo o mundo, Tim Cook disse que isso traz bastante responsabilidade à empresa. “Construímos o iPhone para os clientes e sabemos que é um aparelho muito pessoal”, começou o CEO, na abertura do evento da primavera na sede, em Cupertino.
“Temos de decidir, como Nação, qual a extensão do poder que o governo deve ter sobre os nossos dados e sobre a nossa privacidade”, sublinhou, ressalvando que a empresa não esperava ver-se numa situação de conflito com o governo.
“Mas acreditamos fortemente que temos a responsabilidade de ajudar os consumidores a protegerem os seus dados e privacidade“, afirmou. “Este é um assunto que tem impacto sobre todos nós, e não iremos escusar-nos desta responsabilidade.
Talvez não tenham de o fazer, afinal. Estava marcada para hoje uma audiência entre o FBI e a Apple em Riverside, Califórnia, mas a agência de inteligência pediu o adiamento porque poderá ter encontrado uma alternativa. De acordo com a justificação do FBI, desde que o caso se tornou público a agência foi abordada por empresas e especialistas que sugeriram outras formas de arrombar o iPhone, e uma delas terá viabilidade e vai ser testada.
Durante o fim de semana, também o co-fundador da Apple Steve Wozniak se pronunciou sobre o caso, num painel da Comic Con de Silicon Valley, organizada por ele. “Se damos ao governo o direito de entrar em qualquer empresa, a qualquer hora, e dizer-lhe que deve desenvolver o produto de certa maneira, não pode ser. Nós criamos os produtos como achamos que devem ser criados”, afirmou o visionário.