Tecnológicas dos EUA defendem sistemas fortes de encriptação

A Apple e a Google pediram ao governo norte-americano para não ceder aos pedidos das agências de vigilância e das autoridades policiais que consideram que, para manutenção da segurança nacional, devem ser integrados backdoors nos sistemas de encriptação dos produtos das empresas tecnológicas.

Numa carta endereçada à Administração Obama, narra o The Guardian, a Apple, a Google, a par de algumas outras empresas tecnológicas e criptólogos, afirmavam que programas de encriptação fortes são a coluna vertebral da segurança informática e económica dos dias de hoje, pelo que de forma alguma deverão ser estas defesas minimizadas.

Um dos signatários da missiva dizia que, se na década de 1990 um medida semelhante não foi aplicada às redes de telecomunicações, não seria agora que seria aprovada.

O FBI é uma das agências que defende que os sistemas de encriptação produzidos em solo norte-americano devem ser enfraquecidos, para que, no decurso de investigações judiciárias, as autoridades possam aceder, dentro da legalidade, a todos os ficheiros, documentos e pastas nos dispositivos dos suspeitos.

Contudo, o lançamento da oitava versão do iOS da Apple deixou as agências vigilância foi acompanhado de anúncio que deixou as agências de vigilância e as autoridades policiais particularmente descontentes. Quando apresentou o iOS 8, em meados de 2014, a Apple afirmou que todas as informações contidas nos iPhones e noutros seus dispositivos seriam automaticamente encriptadas. A Google não demorou a seguir os passos da concorrente. Desta forma, nem as próprias fabricantes poderiam aceder aos ficheiros, e, embora grande parte dos conteúdos possam ficar armazenados na cloud – ao alcance das autoridades –, ficheiros críticos poderiam ficar no dispositivo do suspeito, criando ângulos mortos no campo de visão do FBI e congéneres.

Assim, vários governos consideram que a integração de backdoors seria a solução indicada, visto que permite às entidades policiais e de vigilância acederem aos conteúdos dos dispositivos dos utilizadores sem terem que passar por vários sistemas de codificação de dados.

Não obstante as vantagens que estas “vulnerabilidades propositadas” oferecem, não podemos deixar de notar que as backdoors deixam os dispositivos e os seus conteúdos mais expostos a ameaças cibernéticas, para não dizer que o chamado “Grande Irmão” (personagem do livro 1984 de George Orwell) teria o acesso legalizado a conteúdos que antes teria de obter através de obscuras campanhas de espionagem.

Filipe Pimentel

Formado em Ciências da Comunicação, tem especial interesse pelas áreas das Letras, do Cinema, das Relações Internacionais e da Cibersegurança. É incondicionalmente apaixonado por Fantasia e Ficção Científica e adora perder-se em mistérios policiais.

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