Muzzley: “Qual é a empresa na IoT que está a fazer dinheiro?”

“No ano passado estávamos mais focados na tecnologia e criar um ecossistema à nossa volta”, explica o cofundador Eduardo Pinheiro, que aproveitou a CES 2016 em Las Vegas para fazer o lançamento. “Para chegar à mão do utilizador, era preciso construir esta rede no retalho e com fabricantes”, refere, falando de algumas dezenas de parcerias em todo o mundo.

A aplicação terá agora uma componente educativa, que pretende mostrar aos utilizadores como podem beneficiar de aparelhos inteligentes em casa, o que podem fazer com eles e quais devem comprar a seguir. Num certo nível, refere Eduardo Pinheiro, a Muzzley vai concorrer com empresas como a Samsung – que pretende centralizar as interações dos utilizadores com a IoT na sua plataforma SmartThings (a televisão será uma espécie de comando central.)

“Estamos focados na experiência do utilizador final, temos de ser compatíveis com todos os aparelhos e protocolos”, sublinha o responsável. “Num nível mais acima, não o da interoperabilidade mas da experiência, somos concorrentes da Samsung”, admite Pinheiro. A Muzzley tentou integrar-se na plataforma SmartThings, mas a Samsung achou que fariam concorrência e por isso não estão lá.

O novo passo para a Muzzley é começar a investir em marketing, para crescer o número de utilizadores: tem neste momento “30 a 50 mil”, que foram conquistados de forma orgânica. Vão também mudar de escritórios, contratar mais pessoas e tentar levantar novo investimento, entre 4 e 7 milhões de euros, porque este ainda é um mercado incipiente que  não permite à startup ser sustentável. Nem aos outros players, considera o responsável.

“Qual é a empresa na IoT que neste momento está a fazer dinheiro? Estamos numa fase de investimento”, realça Eduardo Pinheiro. “De tempos a tempos precisamos de ir buscar mais investimento.”

A conquista de mais parcerias também será essencial, porque o modelo de negócio vai basear-se em comissões ganhas na sugestão de produtos. As negociações procedem neste momento, e Eduardo Pinheiro está confiante. 2016 pode não ser o ano decisivo para a Internet das Coisas, mas será certamente um em que muita gente comprará o seu primeiro aparelho conectado.

Ana Rita Guerra

Jornalista de economia e tecnologia há mais de dez anos, interessa-se pelas ideias disruptivas que estão a mudar a forma como se consome e se trabalha. Vive em Los Angeles e tem um gosto especial por startups, música, papas de aveia e kickboxing.

Recent Posts

Kaspersky KATA 7.0 para proteção contra ataques direcionados

Com o lançamento de KATA 7.0, as organizações podem agora beneficiar de capacidades melhoradas de…

3 dias ago

Acer lança nova dupla de monitores de gaming Predator QD-OLED

Novos monitores Predator X32 X2 e X27U X1 oferecem imagens de jogo nítidas, com uma…

4 dias ago

Adolfo Martinho é o novo diretor-geral da DXC Technology em Portugal

Adolfo Martinho sucede a Manuel Maria Correia, que liderou a empresa em Portugal desde a…

5 dias ago

Atenção ao malware oculto no GitHub

A Kaspersky descobriu centenas de repositórios de código aberto infetados com malware multifacetado, dirigidos a…

1 semana ago

Microsoft lança Researcher e Analyst para Microsoft 365 Copilot

O Researcher e o Analyst vão começar a ser disponibilizados para clientes com licença do…

1 semana ago

Ricardo Morais entra na EY para reforçar área SAP

Ao longo da sua carreira, Ricardo Morais assumiu responsabilidades em gestão de clientes e desenvolvimento…

2 semanas ago