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Kaspersky é alvo de ataque hacker de elite

A Kaspersky Lab foi alvo de um ataque de alto nível, que conseguiu ficar oculto dentro das redes da empresa por meses. Descoberto pelos investigadores da companhia, o malware foi descoberto durante um teste interno de segurança.

 

O malware, uma evolução do vírus denominado Duqu, pode ter sido originado quando um funcionário de um dos escritórios da Kaspersky na região Ásia-Pacífico o recebeu via e-mail. A partir daí, a infecção espalhou-se de forma insidiosa pelas redes da companhia.

Segundo a empresa, o motivo exato do ataque não está totalmente claro, mas os alvos primários foram tecnologias futuras, sistemas operacionais seguros e estudos mais recentes da Kaspersky sobre as chamadas “ameaças avançadas persistentes”, ou APTs na sigla em inglês. Os funcionários da Kaspersky também classificaram o software-espião usado contra a empresa como uma APT.

Segundo reportou o Spiegel, os analistas da sede da Kaspersky em Moscovo já conheciam características importantes do malware que estava a ser usado contra eles. Eles acreditam que é uma versão modernizada e reelaborada da arma cibernética Duqu, que chegou às manchetes internacionais em 2011. O sistema de armas cibernéticas que foi agora descoberto tem uma estrutura modular e parece ter sido construído a partir da antiga plataforma Duqu.

Sem apontar diretamente os responsáveis pelo ataque, os especialistas da Kaspersky apenas afirmaram que o desenvolvimento do malware é extremamente caro, descartando a possibilidade do envolvimento direto de simples criminosos digitais. Sem citar nomes, os investigadores disseram estar provavelmente a lidar com ameaças de apoiadas por Estados.

Grave, a acusação vai ao encontro dos recentes episódios de ataques cibernéticos que envolveram países com a China, os EUA e a Coreia do Norte,que se acusam mutuamente de mobilizar milícias hacker para se desestabilizarem uns aos outros e roubar segredos.

Um ataque direto à Kaspersky é uma clara mostra de força contra a Rússia, pois a companhia de segurança é um dos orgulhos do país e um dos alicerces da estratégia de segurança digital do Kremlin.

De acordo com a empresa, várias das novas invasões do Duqu 2.0 aconteceram em 2014 e 2015, ligadas às conversações do “P5 + 1” – as negociações diplomáticas em andamento desde 2006 entre a Inglaterra, Estados Unidos, China, França, Rússia e Alemanha, com o objetivo de chegar a um acordo com o Irão sobre o seu programa nuclear. A Kaspersky diz que vestígios do Duqu 2.0 foram aparentemente detectados em três dos locais das reuniões do P5 + 1, que mudavam com frequência.

Identificar quem exatamente está por trás do ataque é quase irrelevante para a Kaspersky, cuja reputação deve sofrer por conta do acontecido. “Uma das coisas mais difíceis que uma empresa de segurança de TI pode fazer é admitir que houve um ataque cibernético bem-sucedido contra os seus próprios sistemas”, diz o relatório da empresa sobre o incidente. No entanto, a administração não hesitou em divulgar o incidente, diz o investigador Vitaly Kamluk, até porque a Kaspersky já havia identificado outras partes afetadas em países do Ocidente, Ásia e Oriente Médio.

*Jocelyn Auricchio é jornalista da B!T no Brasil

Jocelyn Auricchio

Atua como jornalista especializado em tecnologia há mais de 20 anos, escrevendo para as maiores empresas de mídia do Brasil, como Editora Abril e Jornal O Estado de São Paulo. Além de foco em cobertura B2B e B2C, tem especial interesse nos bits e bytes do mundo hacker. Entusiasta por tecnologia desde que conseguiu formular as primeiras frases, está em busca de um mítico notebook para jogos com grande autonomia de bateria. Acredita em café bom, chocolate amargo e comida decente.

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