Granadeiro não assume “responsabilidades dos outros” e sai

Aos 70 anos, Henrique Granadeiro renunciou ao cargo de Presidente Executivo da Portugal Telecom (PT). Sai em plena crise mas tranquilo, como referiu na carta que apresentou ao Conselho de Administração dizendo-se surpreendido com o incumprimento do BES perante a PT mas com a “certeza que uma auditoria independente mostrará que eu sempre agi no melhor interesse da Portugal Telecom, dos seus funcionários e acionistas”.

Granadeiro, que tinha assumido o cargo em junho de 2013, acumulando com a Presidência do Conselho de Administração, após a ida de Zeinal Bava para o Brasil, num processo de fusão com a Oi, diz ainda na carta de renúncia: “Convivo bem com os meus actos, mas não com os encargos e responsabilidades de outros”, deixando antever alguma discordância interna, embora lembrando ter assumido ” o encargo de evitar ou minorar as consequências do default na esfera patrimonial da PT e na continuidade do processo de fusão com a Oi já na sua fase final”.

Recorde-se que as ações da empresa caíram 57 por cento desde o início do ano, principalmente nos últimos dois meses, depois de virem a público os problemas do Grupo Espírito Santo que tem uma participação de dez por cento na PT, e que culminaram, no passado domingo, com o resgate de 4,9 mil milhões de euros do BES, deixando os tóxicos num “banco mau” enquanto o Novo Banco será progressivamente vendido a investidores. A holding Rioforte e diversas outras companhias da família Espírito Santo estão agora sob proteção contra credores.

A Portugal Telecom não informou sua parceira de fusão, a Oi, que detinha 900 milhões de euros em dívida emitida pela holding. A empresa não pagou a dívida no mês passado, o que fez a telefónica portuguesa ser obrigada a aceitar uma fatia menor na companhia criada após a fusão com a Oi.

Henrique Granadeiro nasceu em Borba, no Alto Alentejo, onde cresceu e estudou, licenciando-se em Economia depois de alguns anos no Seminário. Iniciou a sua carreira profissional como técnico da função pública tendo passado por gabinetes do Governo, uma Direção Geral, a OCDE e o IFADAP (instituto público de apoio à Agricultura e Pescas) mas foi no Privado que mais se destacou, passando pela administração e liderança de vária empresas até chegar à PT em 2003.

Bruno Ribeiro

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