Gastos mundiais em TI recuam 0,5% em 2016

A consultora indica que a mudança nesta previsão, de um crescimento de 0,5% para um recuo na mesma proporção, se devem na maior parte às flutuações cambiais que têm afetado os mercados e os resultados das empresas. Em 2015, os gastos mundiais em TI foram de 3,07 biliões de euros.

“Há uma corrente de incerteza económica a levar as empresas a apertarem os cintos, e os gastos em TI são uma das vítimas”, explica o vice presidente de pesquisa da Gartner, John-David Lovelock. “Neste momento, a necessidade de investir em TI para dar suporte ao negócio digital é mais urgente que nunca. Os gestores sabem que precisam de transformar [as empresas] em negócios digitais, sob pena de se tornarem irrelevantes num mundo digital”, alerta. “Para fazer isso acontecer, os líderes estão a operar duras otimizações de custos nalgumas áreas, de modo a financiarem o negócio digital noutras.”

Um exemplo é a poupança na otimização de sistemas de legado, que está a ser redirecionada para iniciativas digitais. “É fazer mais com o mesmo orçamento”, sublinha Lovelock. Numa situação normal, apenas 10% das empresas se apresenta em modo de corte de custos. Mas a necessidade de gastar em iniciativas digitais, numa altura em que o crescimento das receitas não permite grandes aventuras em TI, está a levar as empresas a optarem primeiro pela otimização – algo que se nota no desvio de custos de bens para serviços.

“Os sistemas de TI tradicionais têm agora um ‘gémeo’ de serviço digital – as licenças de software têm o software na nuvem, os servidores têm Infraestrutura como Serviço (IaaS), e o serviço celular móvel tem VoLTE“, acrescenta Lovelock.  Estes “serviços gémeos” estão a mudar o padrão de gastos, de uma soma avultada paga à cabeça para pequenos montantes mensais. “Isto significa que o mesmo nível de atividade tem uma despesa anual muito diferente.”

A previsão da Gartner para a composição de despesas no mercado este ano é a seguinte:

Dispositivos: 550,2 mil milhões de euros, -3,7%

Sistemas de centros de dados: 153,8 mil milhões de euros, +2,1%

Software: 282,1 mil milhões de euros, +4,2%

Serviços de TI: 816,5 mil milhões de euros, +2,1%

Serviços de comunicações: 1,26 biliões de euros, -2,0%

Total: 3,49 biliões de euros

 

Ana Rita Guerra

Jornalista de economia e tecnologia há mais de dez anos, interessa-se pelas ideias disruptivas que estão a mudar a forma como se consome e se trabalha. Vive em Los Angeles e tem um gosto especial por startups, música, papas de aveia e kickboxing.

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