e-Health: realidade ou utopia?

As Tecnologias de Informação são cada vez mais um elemento ubíquo, que trespassa cada uma das indústrias, resultado de uma crescente e inevitável digitalização da realidade e de tudo o que a ela lhe é inerente. Na segunda edição do IMS e-Health Forum @ 2014, que reuniu uma multiplicidade de profissionais das áreas da Medicina e da Tecnologia, foram perspetivados os impactos das TI num setor tão crítico como é o da Saúde.
Nestas circunstâncias, o setor da Saúde não é exceção à regra, pelo que nos últimos tempos, dada a transversalidade da emergente e inexorável tendência que é a Mobilidade, têm-se observado fortes investimentos na adoção e integração de sistemas informáticos nas unidades prestadoras de cuidados de Saúde, no desenvolvimento de aplicações móveis que monitorizem os hábitos quotidianos dos utilizadores, e na concetualização, e posterior materialização, de dispositivos e soluções que atendam às exigências e necessidades dos pacientes dos dias correntes.
O primeiro orador foi Thomas Olesen, diretor comercial na Qualcomm Life, unidade da norte-americana Qualcomm, especializada na produção de semicondutores. Olesen começou por clarificar que a missão da Qualcomm Life é conceber soluções que permitam que o acesso à Saúde seja efetuado em qualquer lugar e em qualquer altura, por qualquer pessoas.
De acordo com o executivo, as empresas têm de conseguir saber aproveitar os booms tecnológicos (mobilidade, apps, cloud) para que as necessidades dos utilizadores – das tecnologias e dos SIstemas de Saúde – sejam atendidas da forma mais eficaz e simples.
A Qualcomm Life intenta reduzir os custos das infraestrtuturas dos sistemas integrados no setor da Saúde e fornecer soluções que organizem todos os dados gerados pela vasta panóplia de dispositivos mobile (Analytics). A tecnologia wearable desempenha um papel de destaque nesta reconfiguração industrial.
No evento foi ainda destacado que a prevenção dos riscos relativos à Saúde é um dos principais focos dos developers de aplicações móveis, consciencializando os utilizadores e promovendo boas práticas.
Num outro momento, Paulo Moreira, editor do International Journal of Healthcare Management, referiu a importância do setor administrativo na implementação de sistemas de e-Health, e que, particularmente em Portugal, existe uma expressiva carência educativa no que toca à aplicação da TI na área da Saúde.
As dificuldades financeiras, que colocam o setor sob uma enorme pressão, são também uma fator que impede a adoção e consequente integração de sistemas de informação em unidades prestadores de cuidados de Saúde.
Apesar de assentir-se que a democratização do conhecimento médico através das mais variadas plataformas online veio dotar o paciente contemporâneo de uma extraordinária autonomia, não pode ignorar-se o facto de este poder recentemente adquirido – que parece estar a aumentar – acarreta também uma série de problemas que precisam de ser atendidos, como a automedicação e o autodiagnóstico, que podem colocar a vida da pessoa em xeque.