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Entrevista da semana: CMU Portugal promove tecnologia nacional nos EUA

João Claro, diretor nacional do Programa CMU Portugal

Quais os critérios de seleção das equipas que participaram?

O inRes é um programa de aceleração de negócios para equipas empreendedoras que têm um projeto sólido de comercialização de um produto ou serviço na área das tecnologias de informação e comunicação. Os critérios de seleção centram-se na área de atuação do projeto, nas competências da equipa que o lidera e na forte iteração com o mercado sem estar já numa fase de venda do produto/serviço. Queremos projetos que estejam no “sweet spot” e que possam beneficiar das oportunidades criadas por estarem cerca de dois meses nos Estados Unidos, expostos a um ecossistema de contatos que lhes permite validar o modelo de negócio.

Que balanço faz, enquanto responsável pelo Programa?

O inRes está a afirmar-se como um programa único em Portugal, que permite a jovens empreendedores com projetos inovadores na área das Tecnologias de Informação e Comunicação aperfeiçoarem e validarem iterativamente os conceitos de produto e os modelos de negócio em contexto internacional. Esta perceção advém não só do feedback que nos tem sido dado pelas equipas, mas também pela forma como observamos o seu desenvolvimento. O inRes é hoje uma das iniciativas-chave do Programa CMU Portugal, financiado pela FCT, que tem impacto tangível e intangível em projetos e em pessoas, o que nos deixa muito satisfeitos.

O que acredita ter ainda de ser melhorado?

Desde que criámos o inRes, no âmbito do Programa CMU Portugal, que temos a preocupação de melhorar e aperfeiçoar de forma contínua e focada, sempre em prol das equipas e de forma a garantir que tiram o maior proveito possível desta oportunidade. O inRes, sendo um programa de aceleração de negócios, foi desenhado em conjunto com especialistas internacionais de topo a pensar na capacitação de recursos humanos para a gestão de projetos de base tecnológica num mercado global e na validação dos conceitos de produto e de serviço. Na edição deste ano, e na esteira dos resultados muito positivos que registámos na edição de 2014, conseguimos trazer para o inRes duas vantagens competitivas, que acrescentaram valor ao programa. Por um lado, a parceria com a Caixa Capital, como parceiro que poderá atribuir um investimento de 50 mil euros a uma das equipas; e a inclusão de uma semana em Silicon Valley, onde a CMU tem um campus, o que complementou o período de imersão das equipas nos Estados Unidos, depois de seis semanas em Pittsburgh. Aliás, na sessão de encerramento da edição de 2015 do inRes, na qual participaram as equipas de 2014 e de 2015, a Caixa Capital anunciou a atribuição do investimento à Scraim.

De uma forma geral, qual o feedback que os participantes lhe deram?

O feedback das equipas tem sido muito construtivo e positivo, tanto relativamente à edição deste ano como da edição anterior. Desde o momento em que são anunciadas as equipas selecionadas, o programa inicia um acompanhamento muito próximo durante o período em que estão em Portugal, mas também nos Estados Unidos. O processo é evolutivo e é muito interessante ver a dedicação e a vontade dos empreendedores em aproveitar todos os momentos que lhes são proporcionados para iterar sobre o projeto que têm em mãos. A participação nos workshops em Portugal permite-lhes prepararem bem o período de quase dois meses em que estão nos Estados Unidos. É muito importante que todos percebam o manancial de oportunidades a que estão expostos e que, face a esta realidade, consigam capitalizá-las. Este ano, podemos destacar a organização de workshops com diferentes públicos e objetivos, a realização de mais de 50 contatos por equipa, mas também a presença em eventos que permitem às equipas ganhar visibilidade, nomeadamente no contexto internacional.

Está prevista uma nova edição?

Sim, já estamos a trabalhar na próxima edição do inRes.  Quanto a possíveis novidades, teremos de aguardar mais algum tempo para saber, mas o importante é reforçar que todos os possíveis ajustes que possam vir a ser feitos na dinâmica do programa serão sempre em virtude da sua melhoria e de um maior contributo para os empreendedores portugueses que participam.

Portugal tem uma boa reputação enquanto “produtor” de tecnologia ou são também programas como este que ajudam a credibilizar essa ideia?

O inRes contribui, sem dúvida, para consolidar essa reputação, por um lado ao mostrar lá fora alguns dos excelentes talentos e projetos que no país vão sendo desenvolvidos na área das Tecnologias de Informação e Comunicação, por outro ao contribuir para fortalecer esses projetos e ajudá-los a ir mais longe, em particular nos seus esforços de internacionalização.

Qual o investimento efetuado neste programa?

Fizemos o investimento necessário e ajustado ao peso que esta iniciativa tem hoje no contexto do Programa CMU Portugal. Acima de tudo, é importante reforçar que este valor é capitalizado e multiplicado através do bom desempenho das equipas e dos resultados que hoje apresentam. Esses resultados, o impacto tangível e intangível que é demonstrado por todos os envolvidos no inRes, são extremamente valiosos em múltiplas frentes: quer para os empreendedores portugueses que participam; quer para as empresas que se associam e investem nos seus produtos. Em última análise, para o mercado, que ganha com a entrada de novos produtos e serviços realmente inovadores, com potencial de escala e de exportação.

Projeto Scraim ganha 50 mil euros da Caixa Capital

Este ano, o projeto que mereceu maior destaque foi o denominado Scraim (www.scraim.com), da @UPTEC Porto. Basicamente, é um serviço online de gestão integrada de projetos baseado em processos adaptáveis para ajudar a “standardizar” boas práticas, revolucionando a implementação de certificações internacionais. Com base na UPTEC, a equipa Scraim está numa missão para ajudar as organizações a melhorar a sua capacidade e entregar os projetos no prazo, dentro do orçamento e com qualidade. César Duarte e Pedro Castro Henriques, os participantes no programa acabariam por levar para o Scraim 50 mil euros, fruto da parceria com a Caixa Capital.

Susana Marvão

Jornalista especializada em TIC desde 2000, é fã incondicional de todo o tipo de super-heróis e da saga Star Wars. É apaixonada pelo impacto que as tecnologias têm nas empresas.

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