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China é o principal suspeito do ataque a uma agência do governo dos EUA

No início de junho, foi noticiado que o Gabinete de Gestão de Pessoal (GGP) do governo dos Estados Unidos tinha sido vítima de uma campanha de ciberespionagem que visava obter informações sobre o serviço civil do Estado norte-americano. Nessa altura, já desconfiavam que Pequim estivesse por detrás da investida, mas não tinha ainda sido formalmente anunciada a suspeita.

Os indícios que apontam para a participação do governo chinês no ataque ao GGP estão também presentes numa outra ocorrência. Em fevereiro, a seguradora de saúde Anthem, a segunda maior nos Estados Unidos, sofreu uma perda de dados que afetou mais de 80 milhões dos seus clientes. As autoridades responsáveis pela investigação do ataque ao Gabinete de Gestão de Pessoal dizem que existem fortes semelhanças entre os “códigos genéticos” de ambos os incidentes.

O diretor dos serviços de inteligência dos EUA, James Clapper, anunciou publicamente que a China é um forte suspeito na investigação do ataque ao GGP, marcando a primeira vez que Washington aponta um dedo acusatório à potência asiática no âmbito da ocorrência.

Durante uma conferência na capital norte-americana, Clapper afirmou, em tom de gracejo, que o que a China fizera, a ser provado o seu envolvimento, é algo digno de congratulações, visto que o sistema do Gabinete lesado, sendo um órgão governamental, estaria impregnado de fortes proteções cibernéticas. Contudo, a investigação está ainda a decorrer, pelo que estas acusações não passam, por agora, de meras conjeturas, por muito perto que possam estar da verdade.

Os comentários são proferidos por Clapper no encalço das conversações entre Washington e Pequim que tomaram lugar esta semana em solo norte-americano. Um dos pontos centrais deste encontro foi, naturalmente, a segurança cibernética.

O Secretário de Estado John Kerry assegurou que não foram disparadas quaisquer acusações sobre ataques cibernéticos durante as reuniões, mas afirmou que o governo norte-americano fez questão de deixar bem claro que os ataques cibernéticos são intoleráveis. Neste âmbito, os EUA disseram que era de crucial importância a existência de um código de conduta que regulasse, de certa forma, as ações dos Estados na esfera cibernética. A China, segundo a Reuters, partilha a mesma visão e acordou colaborar com Washington nesta matéria.

Um porta-voz da Casa Branca afirmou que, quando for solidamente apurado o responsável pelo ataque, a resposta dos Estados Unidos será subtil mas eficiente.

A China, como em todas as ocasiões anteriores em que se encontrou sob o foco da suspeita, declarou que qualquer sugestão de que possa estar por detrás do ataque é infundamentada e irresponsável.

Filipe Pimentel

Formado em Ciências da Comunicação, tem especial interesse pelas áreas das Letras, do Cinema, das Relações Internacionais e da Cibersegurança. É incondicionalmente apaixonado por Fantasia e Ficção Científica e adora perder-se em mistérios policiais.

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