Acesso a sites noticiosos em dispositivos móveis aumentou

O acesso a sites noticiosos através de dispositivos móveis em Portugal representa já cerca de 13 por cento do total das visitas. Esta percentagem pode duplicar em menos de dois anos, refere João Canavilhas, investigador e professor da Universidade da Beira Interior.
João Canavilhas lançou este ano o livro “Notícias e Mobilidade: o jornalismo na era dos dispositivos móveis” e, de acordo com os dados que recolheu, o site da rádio TSF é o maior em percentagem de acessos através de dispositivos móveis no total de visitas, representando 13 por cento. De seguida vem o site do jornal Público, onde a percentagem é de onze por cento. Já o Correio da Manhã e o Diário de notícias têm uma percentagem de dez por cento.
Nos sites do jornal Expresso e da Rádio Renascença, os acessos através de dispositivos móveis são de quatro por cento do total.
O professor da Universidade da Beira Interior afirmou que não tem dúvidas de que “o futuro do jornalismo em Portugal é móvel”. João Canavilhas adianta ainda que este crescimento é “baseado em dispositivos muito recentes”, lembrando que o iPhone e o iPad surgiram apenas há cerca de seis anos.
“Tendo em conta as previsões de vendas de dispositivos, mas também a redução dos preços dos pacotes de dados e o aumento de zonas de internet gratuita sem fios, penso que estes números poderão vir a duplicar em menos de dois anos”, afirmou o investigador.
Para João Canavilhas estes números devem ser vistos com optimismo, pois dizem apenas respeito aos acessos diretos às páginas dos sites noticiosos, não incluindo as visitas com origem nas aplicações nativas, que podem ser instaladas nos dispositivos móveis. “Basta olhar para os números referentes aos downloads de aplicações para perceber a verdadeira dimensão do fenómeno”, refere.
O professor diz ainda que este cenário pode permitir mudanças nos modelos de negócio dos media: “O jornalismo móvel permite oferecer conteúdos mais personalizados usando as tecnologias dos dispositivos de receção. A capacidade multimédia, a ligação à Internet, o recetor de GPS ou o acelerómetro, por exemplo, permitem construir informação diferente de tudo o que os utilizadores conhecem”.
João Canavilhas refere que o regresso dos vespertinos, agora em versão para tablet, é “um excelente exemplo. Veja-se o caso La Repubblica Sera, que, para além de oferecer uma versão atualizada da versão matutina e uma antecipação da edição do dia seguinte, inclui ainda um vasto conjunto de novos géneros jornalísticos”, concluiu.