Huawei P7: uma história de amor

Bem, antes de me debruçar sobre o Huawei Ascend P7, tenho de fazer uma confissão prévia: o meu smartphone pessoal é de gama baixa – vá, se quiser ser simpático, de gama média –, o que significa que colocar as mãos num topo de gama pode tornar a minha opinião demasiado parcial… Nada contra o meu barato dispositivo, que até me permite uma utilização profissional ao possibilitar gravar entrevistas e tirar fotos com uma qualidade razoável em eventos, mas não posso negar que passei a olhar para ele com desconfiança e uma pontinha de desprezo depois de experimentar o P7 da Huawei.
Começando pelo design, o smartphone da Huawei não me seduziu de imediato, mas a aparência robusta do seu chassis – não terem optado por plástico sabe tão bem ao toque… -, conjugada com uma espessura de 6,5mm e um peso de 124gr não me deixaram indiferente. Depois temos o ecrã de 5” com uma resolução de 1080×1920 pixels e Corning Gorilla Glass 3. Hum, o malandro começa a conquistar-me, mas digo a mim próprio: “É demasiado grande para andar no bolso das calças como o outro…” Estou a fazer-me difícil.
Mas esta capa de gelo começa a quebrar-se quando o ligo. Acedo à Internet e o processador HiSilicon Kirin 910 quad-core 1.8 GHz Cortex-A9 consegue deixar-me envergonhado quando me lembro do tempo que tenho de estar à espera para abrir a homepage do meu smartphone – exceto, claro, se estiver a utilizar a aplicação para Android da B!T, que é tão boa que funciona rapidamente em qualquer smartphone (desculpem, não resisti ao ‘shameless plug’…)! Nesta altura, começo a olhar igualmente de lado para o meu igualmente antigo portátil e penso que há tarefas que vou antes começar a executar no P7.
Quando chego à parte de experimentar as câmaras, perco a cabeça. A câmara traseira tem 13MP e a frontal tem 8MP e, tal como a Huawei prometeu na apresentação oficial do equipamento em Paris, o P7 tem a capacidade de tirar boas fotos em ambientes com pouca luz. Utilizo os meus gatos como modelos e, em menos de nada, já tirei 30 fotos… Começo a experimentar os filtros todos disponíveis, mais a aplicação Auto Beauty Enhancement (que funciona como um mini Photoshop automático – daqueles em que ficamos com a pele lisinha e os dentes mais brancos, como os pseudo-VIPs da nossa praça nas revistas cor-de-rosa), mais o Smart Preview Window para as selfies, mais a capacidade para tirar fotos panorâmicas, mais o ‘ultra fast snapshot’ – e, pronto, em cerca de 20 minutos, já lá vão 70 fotos. Se nas aulas de fotojornalismo me sentia o pior fotógrafo do mundo, agora sinto-me um Cartier-Bresson…
Engulo o orgulho e admito que estou oficialmente apaixonado pelo smartphone. Sei que o P7 tem capacidade para ser dual SIM, mas que essa funcionalidade, por uma qualquer razão estranha, apenas está disponível no mercado chinês, e esse aspeto menos positivo acaba por me parecer pouco relevante nesta fase, já que me sinto ébrio de paixão. Só não estou perdidamente apaixonado porque ainda não me considero pronto para usar um P7 cor-de-rosa, de que nem as mulheres parecem gostar particularmente. Mas em preto ou branco, a história é outra.
Em jeito de balanço final, a questão que se impõe é: “Então e estarias disposto a dar 449 euros pelo P7 da Huawei?” Sinceramente, ainda não, mas isso tem mais a ver com o facto de eu ser forreta e preferir gastar dinheiro em viagens do que com a qualidade do smartphone. Se olharmos para os topos de gama dos outros fabricantes, dificilmente encontraremos melhor relação qualidade-preço.
Acho que vou ter de começar a pensar numa forma simpática de dizer ao meu smartphone que encontrei uma máquina nova que me faz mais feliz e que o melhor será seguirmos caminhos diferentes daqui para a frente…